terça-feira, 22 de abril de 2008

poesias

QUEM É VOCÊ?
Maria Hilda de J. Alão
Quem é você?Que mexeu com meus sentimentos,Reacendeu a chama esvaecida,Iluminou a escuridão dos meus dias!Quem é você?Que na sombra dos meus pensamentos se esconde,Que tornou os sonhos possíveis,Mas quando o chamo não responde!Quem é você?Que acelerou meu coração,Tirou-me a razão,Encheu-me de esperança,Mas furta-me sua presença!Quem é você?Tecelão de sentimentos queemaranhados teceu com fios dourados entrelaçados, enredando-me a alma!Quem é você?Que surgiu do nada como um espectroE de mansinho meu corpo tomou.Mesclou seu prazer com minha solidão,fortalecendo-me a alma combalida!Quem é você?Que os meandros de minha feminilidade explorou,Que versos poéticos à luz da Lua cantouE uma saudade dolorida deixou!Quem é você?Homem inacessível,Aos meus olhos invisível,Mas presente em minha pele!Quem é você?

OLHA! SOU EU
Maria Hilda de J. Alão.
IOlha! sou eu.Será que importaSe bate a sua portaA peregrina do UniversoProcurando místicos sonsPara seus versos de amor?E depois de misturar coresPara pintar nos astrosAs belas imagens esboçadas pelos sentimentos,Importa que bata a sua porta?Olha! sou eu.Depois de muito garimpar,No veio da inspiração,Diamantes de saudadePara compor um colar de versos,Importa que bata a sua porta?Olha! sou eu.Que diferença faz escrever, Em papel ou em metal,Palavras esculpidas no mundo espiritualSe elas reverberam nas fibras d’alma?Deixa-me entrar, Deusa da Poesia,Neste castelo onde viveramOs grandes poetas do mundo.Juro que ficarei num cantinhoRascunhando meus versosCom a pena da emoçãoNo rodapé do salão.

MINHA LÍNGUA
Maria Hilda de J. Alão.
Nua, com muitos artifícios,Minha dama irreverente,Dás teu corpo e roubas a almaDo poeta que te ama!São pétalas perfumadasAs palavras da minha línguaPerpetuando em verso e prosaA essência lusitana.Mais quente e sensual ficasteNeste chão hospitaleiroDa minha terra brasilianaDespindo o pesado manto europeuE vestindo os trajes brasileirosDos termos da terra acrescentados,E quando são pronunciadosParecem sussurros de dois amantes.Misteriosa, dona de segredos mil,Fazes sofrer a quem tentaPossuir-te inteiramentePensando que és estática.O dinamismo é o teu cerne,Lá tens sempre uma surpresaVestindo o teu vocabulárioCom roupagem de rara beleza.

NAVE PERDIDA
Maria Hilda de J. Alão.Ave Maria,
violas dedilhadas,Às seis horas de todas as tardesNas capelinhas iluminadasReza a gente de todas as cidades.
São palavras ditas em surdina,Salmos ressoam por todos os cantosDitos por vozes graves e finasEm intenção de todos os santos.
Lágrimas embaçam as vidraçariasDe olhos aflitos neste momento gravePara não cometer o erro que ameaçariaA paz deixando a nação como nave
Perdida no oceano da corrupção.Oração forte nesta hora flutua:Eu peço a Maria sua gloriosa intervenção,Seja escolhido o que com a verdade compactua.

DIAMANTE NEGRO
Maria Hilda de J. Alão.
Era doce, marrom e leve,Comia à noite ou pela manhã,De recheio branco de neveOu de creme de avelã.
Na boca ele se derretia,Macio e, sobretudo,Dizer seu nome nem careciaPorque ele “diamantizava” tudo.
Comprava na minha rua,Entre confeitos de alfenim,Saboreava olhando a luaDesejando que não tivesse fim
Aquela bolinha tão doceDe sabor inebriante.Eterna queria que fosseComo uma estrela brilhante.

MAJESTOSA AMAZÔNIA
Maria Hilda de J. Alão.
Tanta coisa capitosaNasce em teu seio vivaz,Ó dama sensual dadivosa!Vês? O homem não é capazDe contigo fazer uma aliança,O teu reino não devastarPorque tu és a esperançaDa vida o estilo mudar.Rica em verde e em aragens,Gestante do ouro negro febril,Mãe de tantos animais selvagensTeus rios são as veias do Brasil.Teu mato agitado lembra os cabelosDe Diana cavalgando no Olimpo.Por ti o mundo sente desvelos,Mas te fere com o punhal do garimpoExtirpando do teu solo, escondidas,As gemas que são para o solRede de transmissão tecidaEm forma de imenso lençolDistribuindo a divina energiaEmanada da mente do criadorDas estrelas, da noite e do dia,Para o teu ventre de vida gerador.Amazônia bela tu és brasileiraNua provocando desejos infernaisEm forasteiros que te querem inteiraComo repasto dos seus pecados capitais.
Essa lembrança me enleia,Da infância e de tudo de bom,Quando olho a lua cheiaSinto o sabor do bombom.

É PRIMAVERA
Maria Hilda de J. Alão.
É magnífico ouvir a passarada,Ver flores de cores e desenhos finosCom tramas que nenhum tecelãoÉ capaz de tecer com sua mão.O céu, em todas as manhãs,Tem o azul das gemas preciosasE nas tardes a suave brisaNos remete ao jardim do Paraíso.O sol borda o horizonte com o arrebolNo seu despertar e dormir no mar,Parecendo que Deus espalhouO ouro que continha o seu cadinho,Para dizer: - Acordem, acordem!Estou lhes ofertando a Primavera,Tempo para renascer e sonhar,De acasalamentos, de novas vidas,Depois das névoas do modorrento invernoQuando tudo dorme e é cinzentoIgual a uma parede de cru cimento.- Acordem, Eu lhes ofereço a alegria!

SE EU PUDESSE
Maria Hilda de J. Alão.
Se eu pudesse fariaDa primavera uma canção,Do marulho do mar uma odePara cantar a longa históriaDos nossos momentos mais íntimos.Se eu pudesse fariaParar o tempo no universoPartiríamos a outra dimensão,Onde não se contam os anos,Nem as dores dos desenganos.Declamaria sáficos versosSó para ouvir o teu suspiroQuando ao meu lado, convulso,Preso aos devaneiosDa nossa paixão proibida.Se eu pudesse fariaDos minutos longas horasPara que não fosses embora,Deixando triste num cantoMinh’alma saudosa chorando.Se eu tivesse dom transformariaA vida num eterno boleroPara, no salão do coração,Envolto em suave penumbra, Pudéssemos a vida passar Abraçadinhos a dançar...

A INFLUÊNCIA DA ROSA.
Maria Hilda de J. Alão.
Tem a rosa na roseiraPétala rubra veludosaParece a pele cheirosaDe uma mulher tecedeira.Que tece ao prendê-la no seioUma isca maravilhosaO desejo, fruta saborosa,De fisgar um coração pelo meio,E envolvê-lo com seu perfume,Atiçando os sentidos de tal maneira,Fazendo da pureza prisioneiraDeixando o pecado impune.

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